Nunca fui uma menina para se dizer: essa é para casar.
Ah, não.
Eu aprendi a lavar, passar, cozinhar, limpar e tudo o que uma dona de casa deve saber fazer. Mas não foi com o intuito de fazer disso a minha profissão. Sempre ouvi da minha mãe: "saiba fazer para saber mandar". Então tá, né.
Tive boneca? Tive sim, várias. Mamãe e filhinha, Barbie e Susi, tudo o que tive direito. Mas eu gostava mais de Lego. E eu amava meu autorama com pista em forma de oito.
Aí eu virei melhor amiga do computador. Na verdade, ele que me conheceu. Joguei muito e tive MSN e ICQ antes de muita gente da minha sala.
Eu sonho em morar sozinha, viajar muito e trabalhar com o que mais amo. Não está nos meus planos me casar ou namorar, muito menos ter filhos e um lar para cuidar e acabar com as minhas mãos.
Quando tiver meu canto, será arrumadinho o suficiente para chamar os amigos e conversar a noite toda sem ninguém me perturbar dizendo: "está tarde, desliga essa luz e vai dormir".
Já aprendi a trocar resistência do chuveiro, troco lâmpada numa boa e coloco o galão de água de 20 litros sem muito mimimi. Mato barata no inseticida (ave, tenho um nojo danado de dar chinelada) e tenho o sono leve: levanto sem medo nenhum se ouvir algum barulho do lado de fora de casa.
Meu individualismo é um dos meus maiores pecados, mas de verdade? Não vejo a hora de ter minha casinha. Poderia ser um loft lindo com tijolinho a vista e umas almofadas ao lado da janela, mas vou adorar se for uma quitinete com espaço suficiente para simular uma dancinha na companhia de uma taça de vinho. E queijo.
Imagina que delícia ouvir Maysa ou Lady Gaga sem ninguém falar: "ouve no seu fone que é melhor, tá me irritando". Já decidi que a primeira música que eu for ouvir quando sair de casa é Jesus of Suburbia, do Green Day. Apenas para berrar loucamente "I'm leaving home!".
Quando isso acontecer eu juro que avisarei. Até lá, meu quarto será meu maior aliado. Ele e o Guga.
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