Com certeza terei mais de um filho. Nunca
tive problemas com pessoas que são filhas únicas, mas sempre considerei a
fraternidade algo precioso demais para ser deixado de lado.
Provavelmente eles não venham da maneira
tradicional, já que decidi há muito tempo em ser mãe adotiva. Mas também
considero toda forma de amor digna, por isso não vejo problema algum criar
alguém que não tem o meu sangue.
Mas o que eu queria deixar para eles é o
seguinte:
“Filhos, a mamãe aqui vai amar vocês para
sempre. Não importa se vocês são frutos da minha gestação ou da gravidez de
outra mulher. O que eu queria dizer à vocês é que eu terei o maior prazer em
cuidar de cada um. Quero que vocês sejam felizes, se expressem livremente e
tenham a liberdade para conversar comigo sobre qualquer coisa.
Quero que vocês contem comigo para o que
der e vier, de verdade. Se for para ser mãe de vocês, eu quero fazer direito.
Quero que vocês se sujem na hora de brincar, que andem descalços para
adquirirem anticorpos e que deem mais risada do que chorem. Mas chorar vai ser
preciso. Mesmo quando a mamãe brigar com vocês (e eu espero fazer isso com
pouca frequência), quero que vocês tenham o direito de defesa e que expliquem o
que aconteceu.
Eu jamais vou brigar com vocês e dizer que
não quero ser mais a mãe de vocês. Tenho pavor dessa frase. Ou pior: dizer que
já cumpri minha missão com vocês.
Se eu for mamãe adotiva ou de sangue, não
importa, eu sempre terei uma missão com vocês: ver vocês felizes. Quero ver
vocês me contando as novidades da escolinha, mostrando o que aprenderam e
dizendo o que decidiram da vida. Se vocês escolherem fazer Engenharia ou
Jornalismo, para mim não vai fazer diferença. Quero que vocês sintam orgulho do
que estão fazendo e automaticamente eu ficarei orgulhosa.
Quero que vocês casem se vocês o quiserem.
Ou que fiquem pra titia. Ou que morem comigo. De verdade, não me importarei.
Mas eu ficarei preocupada se vocês não me
disserem a verdade ou se estiverem com problemas. Por isso peço que vocês sejam
os mais sinceros possíveis e até que me digam se estou errando em algo. A mamãe
não sabe de tudo nessa vida e certamente vocês vão me ensinar muito.
Hoje, enquanto escrevo esta carta, não
tenho certeza se vocês já nasceram ou quando vocês vão chegar, mas só sei que
tenho muito, mas muito amor para dar.
Nós teremos bichinhos de estimação, lousas
e muitos papéis pela casa para vocês escreverem, pintarem e tudo mais que vocês
sentirem vontade de fazer.
Quero participar da vida de vocês. Ligar
para saber se está tudo bem. Se estão com fome. Se precisam de algo. Se
precisam de um abraço.
Eu senti muita falta de abraço nessa vida.
Vou compensar tudo abraçando vocês.
Quero que vocês sejam unidos e que cuidem
um do outro quando eu não estiver mais aqui.
Mas prometo fazer de tudo para ver vocês
felizes. Essa é a minha promessa.
E outra coisa: eu vou falar “leva a blusa”
sempre. Podem ir se acostumando.
Amo vocês, meus filhos.
Beijos da mamãe.”
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