21/11/2014

Carta aos meus futuros filhos

Com certeza terei mais de um filho. Nunca tive problemas com pessoas que são filhas únicas, mas sempre considerei a fraternidade algo precioso demais para ser deixado de lado.
Provavelmente eles não venham da maneira tradicional, já que decidi há muito tempo em ser mãe adotiva. Mas também considero toda forma de amor digna, por isso não vejo problema algum criar alguém que não tem o meu sangue.
Mas o que eu queria deixar para eles é o seguinte:
“Filhos, a mamãe aqui vai amar vocês para sempre. Não importa se vocês são frutos da minha gestação ou da gravidez de outra mulher. O que eu queria dizer à vocês é que eu terei o maior prazer em cuidar de cada um. Quero que vocês sejam felizes, se expressem livremente e tenham a liberdade para conversar comigo sobre qualquer coisa.
Quero que vocês contem comigo para o que der e vier, de verdade. Se for para ser mãe de vocês, eu quero fazer direito. Quero que vocês se sujem na hora de brincar, que andem descalços para adquirirem anticorpos e que deem mais risada do que chorem. Mas chorar vai ser preciso. Mesmo quando a mamãe brigar com vocês (e eu espero fazer isso com pouca frequência), quero que vocês tenham o direito de defesa e que expliquem o que aconteceu.
Eu jamais vou brigar com vocês e dizer que não quero ser mais a mãe de vocês. Tenho pavor dessa frase. Ou pior: dizer que já cumpri minha missão com vocês.
Se eu for mamãe adotiva ou de sangue, não importa, eu sempre terei uma missão com vocês: ver vocês felizes. Quero ver vocês me contando as novidades da escolinha, mostrando o que aprenderam e dizendo o que decidiram da vida. Se vocês escolherem fazer Engenharia ou Jornalismo, para mim não vai fazer diferença. Quero que vocês sintam orgulho do que estão fazendo e automaticamente eu ficarei orgulhosa.
Quero que vocês casem se vocês o quiserem. Ou que fiquem pra titia. Ou que morem comigo. De verdade, não me importarei.
Mas eu ficarei preocupada se vocês não me disserem a verdade ou se estiverem com problemas. Por isso peço que vocês sejam os mais sinceros possíveis e até que me digam se estou errando em algo. A mamãe não sabe de tudo nessa vida e certamente vocês vão me ensinar muito.
Hoje, enquanto escrevo esta carta, não tenho certeza se vocês já nasceram ou quando vocês vão chegar, mas só sei que tenho muito, mas muito amor para dar.
Nós teremos bichinhos de estimação, lousas e muitos papéis pela casa para vocês escreverem, pintarem e tudo mais que vocês sentirem vontade de fazer.
Quero participar da vida de vocês. Ligar para saber se está tudo bem. Se estão com fome. Se precisam de algo. Se precisam de um abraço.
Eu senti muita falta de abraço nessa vida. Vou compensar tudo abraçando vocês.
Quero que vocês sejam unidos e que cuidem um do outro quando eu não estiver mais aqui.
Mas prometo fazer de tudo para ver vocês felizes. Essa é a minha promessa.
E outra coisa: eu vou falar “leva a blusa” sempre. Podem ir se acostumando.
Amo vocês, meus filhos.

Beijos da mamãe.”

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